Só tem a fama
O São Paulo sempre teve a fama de ser o clube mais bem administrado no Brasil. No entanto, isso tem mudado nos últimos anos. Um exemplo recente ocorreu com o lateral-direito Cicinho. Emprestado ao Tricolor pela Roma no início deste ano, o jogador não pôde atuar nas semifinais da Libertadores, contra o Internacional, porque seu vínculo com o São Paulo acabou antes do confronto com os gaúchos. Quando foi contratado, Cicinho era tido como peça-chave no elenco, uma vez que o clube carecia urgentemente de um lateral-direito. O término do contrato em meio ao torneio mais importante das Américas demonstrou toda a fragilidade administrativa de Juvenal Juvêncio e seus pares. A contratação de Cicinho acabou não valendo nada.
Os erros da diretoria
Não foi só a pisada na bola no caso Cicinho que vem acabando com a fama da boa administração são-paulina. Fato semelhante aconteceu com Ricardo Oliveira, em 2006.
Estamos no oitavo mês do ano, e até agora o São Paulo não conseguiu fechar um patrocínio máster para sua camisa. O clube vive de patrocínios com contratos curtos ou por partida. Os grandes patrocinadores já fecharam suas principais cotas para este ano, ou seja, o clube do Morumbi só terá um grande parceiro em 2011.
A contratação de Ricardo Gomes, na metade de 2009, também foi invenção de Juvenal Juvêncio. Gostaria de saber qual foi o trabalho relevante do ex-zagueiro que o credenciou a dirigir um dos clubes mais vitoriosos do Brasil?
Agora a cartolagem são-paulina jogou nas mãos do treinador das categorias de base do clube, Sérgio Baresi, a missão de remontar o time que naufragou no Paulistão e na Libertadora deste ano.
Tática para contratar
Até três, quatro anos atrás a diretoria do São Paulo se aproveitava muito bem da Lei Pelé, que acabou com o passe dos jogadores. Os cartolas tricolores ficavam de olho nos atletas com contrato perto do fim e faziam contratações sem tem que desembolsar grandes quantias com as multas rescisórias. Mas os outros times também começaram a ficar mais atentos a esse artifício tricolor e passaram a disputar os atletas livres de contrato. Resultado: o mercado de jogadores ficou mais disputado, e o São Paulo passou a ter mais dificuldade em suprir as carências em seu elenco.
Contratações necessárias
Com a dificuldade em reforçar seu elenco sem investir muito, o São Paulo passou a esperar que os jogadores caiam do céu. Isso aconteceu com Ricardo Oliveira, que estava no futebol árabe, sofreu contusão, foi fazer tratamento no Reffis e assinou por empréstimo até o final da temporada. Mas não é toda hora que a cartolagem são-paulina vai poder contratar bons jogadores sem desprender alguma soma.
O elenco tricolor sofre com a ausência de um meia-armador desde que Danilo (hoje no Corinthians) foi para o futebol japonês, em 2006. Muricy Ramalho cansou de pedir a contratação deste tipo de jogador, mas nunca foi atendido. Se quiser verdadeiramente parar de enrolar e contratar um legítimo camisa 10 em um futuro próximo, Juvenal Juvêncio terá que tirar o escorpião do bolso.
Outra carência atual no elenco é a posição de lateral-direito. Jean, volante de ofício, vem quebrando o galho na lateral. Ilsinho, com ótima passagem pelo Morumbi entre 2006 e 2007, está treinando no CCT há cerca de dois meses. O jogador está em litígio com seu clube, o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, e está livre, segundo a Fifa, para assinar contrato com qualquer time até que sua pendência jurídica seja resolvida.
A diretoria do São Paulo não precisaria pensar duas vezes para contratar Ilsinho e suprir de vez a carência na lateral. Mas não é que o presidente Juvenal Juvêncio está com dúvidas em relação ao jogador, que vinha jogando mais como um meia-direita do que propriamente como um lateral.
Isso pouco importa. A verdade é que Ilsinho jogaria só com uma das pernas em qualquer equipe brasileira, seja de meia, de lateral… Cabe ao técnico Sérgio Baresi encaixar o jogador em seu sistema de jogo e readaptá-lo a sua posição de origem, como lateral ou ala.
Apesar da resistência de Juvenal, Ilsinho deve ser reforço do Tricolor até a metade de 2011.

